Recortar é se incomodar. É um modo de sublinhar, como a dar
relevância ou interrupção de sequência, caso em que se instaura um outro
cenário a ser explorado. Como relevância é uma maior proximidade do olhar, um
desejo de penetração mais apurado, um apelo significativo à memória como
fixação, um alerta contra o esquecimento e um compromisso com o depois, sinal
de que, se não for assim, algo se perderá.
Há aí uma tensão contra o tempo que apaga, uma competição na
agenda da memória e uma requisição com aura de inadiável, que faz com que a
mobilização suba o limiar usual da atenção, para que o destaque brilhe de forma
diferencial.

