sábado, 18 de outubro de 2014

A vida é séria?

sábado, 18 de outubro de 2014 0
Como é possível chegar à vida propriamente se os entulhos dificultam enormemente a passagem e as mediações são como pregas coladas ao corpo, que nem permitem a brisa embalar com seu frescor?

Parece que temos uma enorme responsabilidade que nos penetra em todos os poros , fazendo com que tenhamos que planejar tudo , desdobramento inevitável para um acerto de medidas, ou seja, é preciso com precisão, colocar tudo na régua, perguntar com insistência se cabe, o quanto cabe ou não, enfim, uma mesura que regula os passos, evitando os buracos que carregamos a todo tempo.

O temor a cair tem passado tão discretamente como tema clínico, que sua única manifestação sólida tem sido a depressão, lugar difícil, por excesso de seriedade, onde a vida fica amuada, triste, emudecida, e onde o sol fica tênue a olhos vistos.

Mas o que a vida tem de tão séria ? O que nos assusta tanto que contrapomos com a seriedade , como se por ela tivéssemos melhor capacitados ao imprevisível?

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A ESTRUTURA DO ROMANCE – Edwin Muir

segunda-feira, 13 de outubro de 2014 1

Há muito tempo eu tinha vontade de ler algo sobre crítica e análise literária. E graças à generosidade de uma amiga, que me presenteou com esse livro, pude saciar esse desejo!

Achei a leitura muito interessante, me ajudou a captar um pouco desse “olhar literário” que eu queria descobrir. Vou colocar aqui bem resumidinho as principais coisas que aprendi.

O autor formula um sistema teórico que pode não ser o definitivo, mas é bem válido. Ele percebe os romances como estruturados principalmente em função do tempo ou do espaço.

Recortes



Recortar é se incomodar. É um modo de sublinhar, como a dar relevância ou interrupção de sequência, caso em que se instaura um outro cenário a ser explorado. Como relevância é uma maior proximidade do olhar, um desejo de penetração mais apurado, um apelo significativo à memória como fixação, um alerta contra o esquecimento e um compromisso com o depois, sinal de que, se não for assim, algo se perderá.

Há aí uma tensão contra o tempo que apaga, uma competição na agenda da memória e uma requisição com aura de inadiável, que faz com que a mobilização suba o limiar usual da atenção, para que o destaque brilhe de forma diferencial.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O tempo do sim - Anorkinda

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 0


O TEMPO DO SIM

Porque chegaste tempo... sempre misterioso, efêmero, passageiro. Enigma.
Chegaste tempo do sim... sempre dadivoso, abundante, hospedeiro. Benigno. 
Porque chegaste, sim... chegaste com o vento da mudança, com o sol da temperança. Digno.
 Chegaste, sim... chegaste... com a mão estendida, com a vida refeita. Paradigma.
Porque chegaste pra querer o mais belo... pra vigorar como o broto singelo daquela flor do amor... Estigma


Anorkinda

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Reflexões sobre a cegueira

sexta-feira, 3 de outubro de 2014 0
Atenção: contém informações que alguns leitores podem considerar como spoilers.
A cegueira causada pela ausência de "percepção filosófica" está arraigada no cotidiano terreno de todos os membros ditos normais da sociedade, tendo sido isso muito bem demonstrado em Ensaio sobre a Cegueira. O texto do livro compõe uma espécie de parábola, que, como convém a esse tipo de literatura, é dissertado através de metáforas e simbolismos.

É interessante observar que parte da sinopse da estória de Saramago pode ser vista como um dos aspectos da evolução cultural de uma sociedade. Então, vejamos: um homem é acometido por uma luz inexplicável que obstrui sua visão. A cegueira radiante passa a contagiar os que miram seu olhar, fazendo
Seres humanos: imitadores cegos do que dita a cultura?
cada contaminado adquirir igual poder. Em pouco tempo, todos estão cegos pela mesma treva branca, sendo obrigados a agir, ainda que a contragosto, de acordo com as limitações impostas por ela. Essa síntese pode ser facilmente associada à seguinte: um grupo primitivo entrega-se a costumes e ritos cegos, que suprem a angústia ocasionada pela ignorância. A cegueira providencial rapidamente se consolida entre todos os membros, perpetuando-se na forma de tradições coercitivas. Desta forma, o senso coletivo e irracional impede o desenvolvimento do pensamento. Tem-se aí a cegueira de caráter mais amplo, a cultural.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A ascensão do rei de Almorvis

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 0
      Muitos já perguntaram por que Petras Markvell chamava sua espada de duas mãos de Clementina. Ele jamais respondeu. Diversos homens achavam que era louco, mas ninguém teve coragem de lhe dizer pessoalmente. Até mesmo por que havia se tornado um furioso.

         Entretanto poucos realmente souberam da influência que ela teve em sua ascenção como rei. É uma história bem humorada, que envolve um rei, um aventureiro, muita cerveja e vaidade. Além de Clementina, é claro.

       Tudo começou quando Petras Markvell bebia com os outros Lâminas Flamejantes nos salões pouco iluminados de Gorack. É que o rei Roman, sucessor do antigo rei Mark II, a quem o anão tinha como modelo de pai, senhor de terras e lutador, havia promovido mais uma reunião entre seus amigos mais próximos.

         Todos sabiam da queda de Roman pela vida aventureira. Quando assumiu o reinado, deixou bem claro que não desejava reinar. Preferia a vida nas batalhas, nas guerras contra outros reinos, bárbaros e criaturas incômodas aos humanos. Ser rei o deixou gordo, displicente e boêmio. Governar era tão chato que lhe restava apenas os saraus, as putas e a bebida.

A Vida e Morte de um Amante de Livros – Ben Oliveira

Suas mãos coçavam com a vontade de segurar aqueles livros. Precisava ler todos. Desejava possuí-los. Gastava o dinheiro que lhe faria falta. Preferia ficar sem comer a ter que abrir mão do seu vício.

O corpo inteiro tremia de excitação só de imaginar qual seria a sensação de tê-los na sua estante. Não gostava de organizá-los em ordem alfabética, cores, tamanhos, gêneros – nada disso, gostava de como eles contrastavam e ao mesmo tempo ficavam tão bem juntos. Sentia-se realizado ao observá-los.

Livros. Adorava livros. Modernos, antigos, usados, novos, pequenos, grandes, densos, literários, técnicos. Havia algo mágico neles que o fazia sentir tanta vontade de continuar lendo e lendo, como quando você está comendo um prato tão gostoso que não consegue parar até que não reste nada e quando termina a refeição, gostaria de mais e mais. Antes mesmo de terminar uma leitura, já estava de olho em outro livro. Nostalgia e alívio se misturavam dentro dele e quando segurava sua próxima vítima, era possível ouvir o seu coração batendo com força, um sorriso cheio de vida se formando no rosto e o processo recomeçava. Tudo igual e tudo diferente.

A sensação era única demais para conseguir descrever com clareza. Nem mesmo suas companheiras letras podiam ajudá-lo. Era como nascer, viver, viajar, experimentar, conhecer, morrer, diversas vezes, em um loop infinito.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Pra quando eu voltar - Anorkinda

terça-feira, 30 de setembro de 2014 3
Era uma tarde fria que se estendia lânguida pela paisagem tranquila... Instabilidade, tensão e uma quentura nauseante apenas a meu interior perturbava. Acabara de naufragar, eu que tão habituada estava a navegar sozinha por estas águas... Mas a tormenta hoje fora implacável!
Há alguns dias eu observava o céu e sabia que ela viria forte, porém desdenhei de seu poder e segui com meus planos e minha rota... Eu deveria ter recuado... Mas que bobagem pensar no que deveria fazer e não se fez, o momento agora é trabalhar com o que se tem.

Eu sentia que o frio aumentaria ao cair da tarde... Nada de minha embarcação veio comigo até a praia, minhas roupas molhadas... Preciso secá-las. Observo toda a calmaria ao redor, nenhuma semelhança com a borrasca que caíra a pouco. O mar está levemente agitado, mas já não grita em furor como antes...

Estendo minhas roupas na vegetação à beira-mar... Venta. Protejo-me encostada a uma grande rocha, em sua solidez ela resguarda o calor do sol que a banhou durante toda a manhã. Sinto-a. Preciso ter a sua firmeza para encontrar o rumo de casa. Onde estarei?

Este lugar me é familiar como quando se quer lembrar de um sonho, mas ele não vem à memória... É uma sensação vaga. Olho para aquela calma toda e parece-me que ela já fez parte de mim, um dia.

domingo, 28 de setembro de 2014

ESCRITORES PERGUNTAM, ESCRITORES RESPONDEM

domingo, 28 de setembro de 2014 0

Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Uma obra única e atual, recomendada a todos os que amam o mundo dos livros.

Um lançamento da Caligo Editora, previsto para o primeiro semestre de 2015.
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